Selado o pacto, um estranho arrepio percorreu o corpo de Sanwa, qual prenúncio de algo potencialmente perigoso que o deixou profundamente inquieto. Estranho pressentimento de fatalidade.
Não havia memória nos anais do Templo de uma situação insólita como esta sobretudo entre um sacerdote de Chisan e uma mera mortal que pressupostamente deveria estar à sua mercê.
A sua previdência, no entanto, havia ditado o rumo dos acontecimentos como se tal estivesse predestinado - maktub - e fosse inevitável. Uma voz interior sussurrava-lhe de mansinho que se mantivesse atento e que fosse cauteloso.
- No sétimo dia de cada semana, virás aos meus aposentos e tentarás adivinhar quem sou - diz Djinn.- Obviamente que a cada visita te darei uma pista que te permitirá resolver o enigma.Se fores bem sucedido passarás à pista seguinte, senão continuarás com a mesma até ao terminus do prazo acordado.
Djinn divertia-se visivelmente com o ar cada vez mais soturno e desconfortável do desconhecido. Será que ele suspeitava de alguma coisa, pensou? Sendo um sacerdote deveria estar a par da antiga profecia...no entanto a sua fleumática postura nada revelava.
Sanwa, sentia-se encurralado pela primeira vez na sua longa existência, desconhecendo as causas, mas sentia-se compelido a pactuar com tudo o que a bela desconhecida lhe exigia, como se tivesse sob o efeito de um poderoso feitiço, contra o qual não conseguia lutar.
- Estás muito confiante! - invectivou jocoso. - Demasiado confiante, não te parece? - o olhar tornou-se mais escuro e brilhante, perigosamente sedutor.
- De todo - afirmou Djinn. Não se trata em absoluto de confiança, mas de sabedoria. Aquilo que eu sei e que tu desconheces! - lançou num riso sarcástico.
Perturbado Sanwa decide tomar as rédeas do jogo e retirar-se de cena para dar início ao pacto que acabara de celebrar, com aquela bela mulher que o intrigava e seduzia.
- Muito bem, qual é a primeira pista? pergunta altivo.
- Maktub, a origem está na antiga profecia do Templo da Lua - proclama com uma voz cristalina. Regressa daqui a sete dias e diz-me do que estou a falar...
- Do Templo da Lua? - indagou surpreendido. - Estais louca? Esse Templo é interdito aos sacerdotes! É impossível saber o que pretendes.
- Isso não me diz respeito! - cortou ríspida. - Estes são os termos do pacto que aceitaste. Agora não tem volta. Se quebrares o pacto antes de teres resolvido o enigma, sabes que perdes o domínio sobre mim, e ficarás à minha mercê. Olhou-o desafiadoramente. - Tens sete dias...
- Seja! - proferiu irado. - Voltarei. Prepara-te porque dentro de sete dias, ao por do sol estou de volta.
Do mesmo modo que chegou, Sanwa partiu, envolvido pelas sombras da noite, rápido, fugaz.
Djinn saiu para o terraço, abraçando a luz prateada da lua que lhe tocava a pele, deixando um rasto brilhante...olhando para o céu pensou - Mãe, a profecia cumprir-se-á. Em breve, muito em breve...
(continua...)
1 comentário:
Ora bolas... deixas-me sempre pendurada a quer saber a continuação. Agora vou passar o tempo a perguntar-me se ele vai resolver ou não o enigma.
Bem... assim como assim, passa lá no meu cantinho. Tens um prémio
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