domingo, outubro 26, 2008

In šaʾ Allāh (إن شاء الله) - Oxalá

Mais uma vez recupero dos meus estudos da língua árabe, uma palavra por demais conhecida no léxico português como «Oxalá», e cuja tradução literal do árabe «Inch'allah» quer dizer «se Deus quiser».

Do mesmo modo que «maktub», esta palavra, pela sua sonoridade e carga mística (não quero aqui entrar em questões religiosas, inerentes à mesma e que muito daria para discutir), tem para mim um significado especial.
Na minha dualidade enquanto ser humano racional e emocional, são muitos os momentos da vida que perante as dificuldades, obstáculos ou barreiras que parecem intransponíveis, sinto o apelo ao conforto de uma qualquer explicação remetida para entidades incorpóreas de carácter espiritual que me poderiam hipoteticamente ajudar a ultrapassar essas dificuldades.

A minha natureza pragmática e historicista, entra em conflito com a minha natureza emocional e idealista num choque de posições à primeira vista antagónicas.
No entanto, e embora tal não pareça, ambas acabam por se complementar num salutar equilíbrio que me permite viver e olhar para o dia seguinte com serenidade.

Gosto nesses momentos de inquietude da alma de pronunciar para mim «inch'allah» com o dramatismo e a carga mística de que se encontra impregnada.
«O que tiver que ser», mais uma vez e de outro modo, o que estiver predestinado ou escrito.
Acreditar no destino? Nem por isso, não da forma básica e simplicista, não da forma linear que coloca na mão de uma qualquer divindade ou ser incorpóreo supra-natural o destino de cada vida humana.
É uma forma de acreditar algo mística, que engloba a intuição, as decisões que tomamos, e uma certa dose de fé não definida nem parametrizada, de forma concreta.

É inexplicável, mas mais uma vez é uma palavra que acarreta por si só uma força e uma energia que me dão alento e força de viver...

Para cada um de vós, Inch' allah, encontrem o vosso caminho...

9 comentários:

NI disse...

Aos poucos vou entendendo porque se criou, de imediato, uma empatia entre nós.

E pensar que tudo começou com a Pearl Buck..

:-)

Beijos Amiga

Pedra Filosofal disse...

Sabes que te digo? Oxalá deixe de ser rascunho e passe a estar on-line

(irra que esta Pedra é uma chata. eheheheh)

GATA disse...

OXALÁ!... porque o meu 'caminho' anda sinuoso...

Requiem disse...

inch'allah maktub?

Santinho!!! Estás contipada? :P :P

Tu e as linguas de trapos, realmente :P :P :P

Djinn disse...

Ni: We are two of a kind :)

Pedra: Está para muito breve :)

Gata: Vais ver que em breve encontras uma «recta» :)

Requiem: Como é óbvio...só gozas! The usual!

Requiem disse...

Sorry...é o que dá não saber fazer comentários inteligentes...manda-se a posta de pescada e finge-se que temos piada :P :P :P

Djinn disse...

Não sabes? Claro que sabes, e muito inteligentes mesmo...podes não querer ou não te apetecer...
Quanto à piada...tens e sabes muito bem disso, aliás és quase sempre bastante oportuno! :)

mik@ disse...

o teu texto fez-me lembrar uma musica dos madredeus que se chama "oxalá"... oxalá que tudo aconteça :)
bjinhos

Djinn disse...

mik@: Por acaso conheço :) Gosto de Madredeus...