sexta-feira, dezembro 29, 2006
«A Insustentável Leveza do Ser»
Milan Kundera é um autor que me tem levado a reflectir sobre a natureza humana e sobre a mutabilidade dos carácteres e dos sentimentos. A obra em epígrafe foi levada ao cinema, com as interpretações fabulosas de Daniel Day-Lewis e Juliette Binoche a minha actriz de culto. Mas não é sobre a obra, nem sobre o filme que venho falar. É tão somente do conceito, da insustentabilidade da leveza do ser. Por natureza, por carácter, à medida que a minha vida se vai espraiando, evito ao máximo fazer juízos de valor ou julgar o comportamento, quiça por vezes estranho, das pessoas. Aquilo que para uns é tão óbvio, tão taxativo e tão intransigente, é por vezes revelador de uma profunda incapacidade. Seja de amar, de confiar ou simplesmente de partilhar. É preciso conseguir ler a alma, ir além da superfície que muitas vezes demonstra as marcas, os sofrimentos e as tristezas que a vida trouxe. O que é gostar de alguém, como se demonstra que se gosta verdadeiramente de alguém? Cada ser humano reaje a estímulos diferentes, manifesta-se de modo diferente. Cada ser humano tem o seu modo de amar, nem melhor nem pior, possivelmente diferente. Quando o outro erra, quando falha, quando engana... como reaje quem ama? De mil modos diferentes...mil reacções ora explosivas ora seráficas. Depende da alma de cada um, da grandeza e da pureza dos sentimentos, e da gravidade da situação. Há quem grite, insulte e esperneie... Há quem cale, chore em silêncio, e perdoe... Há quem entristeça e fique de coração pesado... Tantas reacções como a miríade de emoções que afloram à superficie da alma no momento. A insustentável leveza da minha alma, do meu coração, reside na imensa capacidade de ver o outro, de ir além da superfície e respeitar e amar as imperfeições... É ser capaz, apesar de tudo de amar, de partilhar e de me dar incondicionalmente... A insustentável leveza do ser, é amar além do bem e do mal...
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