segunda-feira, janeiro 22, 2007

«Murasaki Shikibu»



«A História de Murasaki» é uma obra escrita por Liza Dalby sobre a grande novelista japonesa do século XI, conhecida como Murasaki Shikibu. Murasaki nasceu em Kyoto, no ano 973 e terá falecido por volta de 1025. Filha do governador de província, da familia Fujiwara, cedo revela um brilhante talento para a aprendizagem e para a escrita, rapidamente atalhado com um casamento imposto. Após a morte do seu marido em 1001 e como reconhecimento do seu talento Murasaki é convidada a ingressar na corte imperial.
Do período Heian emerge um relato delicado da sua vida na corte, através do seu diário que mantém durante dois anos, e uma novela que a tornou célebre «Genji monogatari». O relato das aventuras do príncipe Genji, escritas para serem lidas em voz alta perpetuaram a sua fama até aos nossos dias.
É o universo do Japão do período Heian, e da vida desta talentosa escritora japonesa que Liza desvenda numa obra cheia de subtileza e delicadeza. Para quem gosta de literatura, a não perder como é óbvio o livro «Genji monogatari», traduzido para o inglês como «The Tale of Genji».

sexta-feira, dezembro 29, 2006

«A Insustentável Leveza do Ser»

Milan Kundera é um autor que me tem levado a reflectir sobre a natureza humana e sobre a mutabilidade dos carácteres e dos sentimentos. A obra em epígrafe foi levada ao cinema, com as interpretações fabulosas de Daniel Day-Lewis e Juliette Binoche a minha actriz de culto. Mas não é sobre a obra, nem sobre o filme que venho falar. É tão somente do conceito, da insustentabilidade da leveza do ser. Por natureza, por carácter, à medida que a minha vida se vai espraiando, evito ao máximo fazer juízos de valor ou julgar o comportamento, quiça por vezes estranho, das pessoas. Aquilo que para uns é tão óbvio, tão taxativo e tão intransigente, é por vezes revelador de uma profunda incapacidade. Seja de amar, de confiar ou simplesmente de partilhar. É preciso conseguir ler a alma, ir além da superfície que muitas vezes demonstra as marcas, os sofrimentos e as tristezas que a vida trouxe. O que é gostar de alguém, como se demonstra que se gosta verdadeiramente de alguém? Cada ser humano reaje a estímulos diferentes, manifesta-se de modo diferente. Cada ser humano tem o seu modo de amar, nem melhor nem pior, possivelmente diferente. Quando o outro erra, quando falha, quando engana... como reaje quem ama? De mil modos diferentes...mil reacções ora explosivas ora seráficas. Depende da alma de cada um, da grandeza e da pureza dos sentimentos, e da gravidade da situação. Há quem grite, insulte e esperneie... Há quem cale, chore em silêncio, e perdoe... Há quem entristeça e fique de coração pesado... Tantas reacções como a miríade de emoções que afloram à superficie da alma no momento. A insustentável leveza da minha alma, do meu coração, reside na imensa capacidade de ver o outro, de ir além da superfície e respeitar e amar as imperfeições... É ser capaz, apesar de tudo de amar, de partilhar e de me dar incondicionalmente... A insustentável leveza do ser, é amar além do bem e do mal...