Em conversa recente com um amigo e com o reavivar da memória no blog da Cristina sobre o maravilhoso livro de Saint-Exupéry, «O Principezinho», que como é óbvio faz parte da minha biblioteca, e também do meu passado.
Peguei no livro e voltei a Dezembro de 1986, uns meses apenas depois de ter começado a praticar Karaté.
A obra foi-me oferecida pelo então meu mestre de karaté, pessoa relativamente nova, de espírito meio selvagem e que na época tinha desenvolvido um interesse ou paixão algo obsessiva pela minha então jovem pessoa.
Muito aconteceu, mas de facto a memória mais forte foi o dia em que ele me convidou para ir ao cinema, lanchar e conhecer o seu magnifico apartamento, o jipe, a mota e os cães...curiosamente nada disto me impressionou.
O que me tocou foi a oferta sincera de um livro com uma mensagem de amizade que ele marca no livro, e que senti que ele acima de tudo procurava.
Descobri que prezava e buscava a amizade sincera com pessoas que partilhassem os mesmos sonhos e objectivos.
Desse dia ficaram memórias muito positivas que fazem parte da pessoa em que hoje me tornei...e quase havia esquecido...
A minha génese nas artes marciais, o meu longo caminho e a minha visão dos amigos, das relações e do que eu não queria para a minha vida...começou nessa época...
Seguimos rumos muito diferentes de vida, sei que continua como instrutor de karaté em vários locais...nada mais...
Rui...onde quer que estejas, o meu agradecimento por hoje fazeres parte das minhas memórias e de algum modo teres contribuido para o meu percurso nas artes marcais....
domingo, junho 22, 2008
domingo, junho 15, 2008
Notas de um Estágio de Iaido
Este fim de semana foi inteirinho dedicado ao estágio de Iaido com os sensei Chris Mansfield e Hubert Schmitz que se deslocaram a Portugal para nos proporcionar este magnífico estágio.
O balanço geral é muito positivo tanto do ponto de vista técnico como no bom ambiente e no convívio entre todos os participantes.
Dia 13 de Junho 2008
No decorrer da manhã entre as 9:30 e as 12:30 o estágio iniciou com esclarecimentos técnicos sobre a etiqueta (reiho) e sobre as quatro primeiras katas de seitei iai bem como a prática das mesmas,
Mae
Ushiro
Ukenagashi
Tsuka Ate
Após o almoço, e até às 17:30, a continuidade dos esclarecimentos e práticas das quatro katas seguintes,
Kesagiri
Morote Tsuki
Sanpogiri
Ganmenate
O primeiro dia tendo sido bastante técnico foi menos cansativo do que esperava, mas ainda assim não deixei ao chegar a casa, dormir duas boas horitas para repor energias para o dia seguinte, que prometia ser mais duro...
O jantar, esse foi muito agradável num restaurante oriental com alguém muito especial que me fez provar saké quente pela primeira vez...
14 de Junho 2008
Segundo dia de estágio dá continuidade à práticas das últimas quatro katas de seitei iai,no mesmo esquema de aperfeiçoamento técnico detalhado,
Soete Tsuki
Chihogiri
Sogiri
Nuki Uchi
Após o almoço, o esquema do treino altera-se dividindo-se os praticantes em dois grupos um de graduados (no qual se inclui o Requiem) e outro de não graduados onde me incluo.
O meu grupo iniciou o treino e prática de outras katas desta vez de Koryu das quais e dado terem sido novas katas, só consegui de facto fixar três nomes, das seis que praticamos,
Shohatto
Koranto
Nuki Uchi (Batto)
A intensidade e ritmo deste dia foi superior ao primeiro dia do estágio, considerando o substancial manancial de informação que recebemos e que tentamos processar mas que só ao longo de uma prática continuada futura permitirá consolidar minimamente.
Este segundo dia culminou com um belíssimo jantar de grupo entre participantes e senseis num óptimo restaurante italiano.
O ambiente e o convívio entre as pessoas foi óptimo, divertido e muito bem disposto apesar do cansaço evidente que já se fazia sentir após os dois dias de estágio.
O regresso a casa é que foi mais doloroso pela hora tardia e por pensar que no dia seguinte ai ai ai lá teria que estar no dojo às 9:00 da manhã!
Dia 15 de Junho de 2008
Este terceiro e último dia de estágio que ocorria apenas da parte da manhã, foi dedicado ao treino de todas as katas da primeira à décima segunda.
A atenção centrou-se na prática conjunta das katas por vários grupos de pessoas, atentando em situações como ritmo, estado de «alerta» permanente a tudo o que nos rodeia e outros detalhes que fazem do Iaido uma das disciplinas do Budo e que devemos se de facto queremos ser iaidocas no pleno sentido do termo, comportarmo-nos como tal.
O espírito dentro do dojo, desde o primeiro instante em que entramos deve ser um espírito marcial...
O balanço final foi de um estágio muito bom a todos os níveis que me permitiu regressar em força aos treinos.
Sinto-me de novo em paz e no bom caminho...no meu caminho...naquele que escolhi e do qual gostaría muito de não voltar a ter que me desviar...
O balanço geral é muito positivo tanto do ponto de vista técnico como no bom ambiente e no convívio entre todos os participantes.
Dia 13 de Junho 2008
No decorrer da manhã entre as 9:30 e as 12:30 o estágio iniciou com esclarecimentos técnicos sobre a etiqueta (reiho) e sobre as quatro primeiras katas de seitei iai bem como a prática das mesmas,
Mae
Ushiro
Ukenagashi
Tsuka Ate
Após o almoço, e até às 17:30, a continuidade dos esclarecimentos e práticas das quatro katas seguintes,
Kesagiri
Morote Tsuki
Sanpogiri
Ganmenate
O primeiro dia tendo sido bastante técnico foi menos cansativo do que esperava, mas ainda assim não deixei ao chegar a casa, dormir duas boas horitas para repor energias para o dia seguinte, que prometia ser mais duro...
O jantar, esse foi muito agradável num restaurante oriental com alguém muito especial que me fez provar saké quente pela primeira vez...
14 de Junho 2008
Segundo dia de estágio dá continuidade à práticas das últimas quatro katas de seitei iai,no mesmo esquema de aperfeiçoamento técnico detalhado,
Soete Tsuki
Chihogiri
Sogiri
Nuki Uchi
Após o almoço, o esquema do treino altera-se dividindo-se os praticantes em dois grupos um de graduados (no qual se inclui o Requiem) e outro de não graduados onde me incluo.
O meu grupo iniciou o treino e prática de outras katas desta vez de Koryu das quais e dado terem sido novas katas, só consegui de facto fixar três nomes, das seis que praticamos,
Shohatto
Koranto
Nuki Uchi (Batto)
A intensidade e ritmo deste dia foi superior ao primeiro dia do estágio, considerando o substancial manancial de informação que recebemos e que tentamos processar mas que só ao longo de uma prática continuada futura permitirá consolidar minimamente.
Este segundo dia culminou com um belíssimo jantar de grupo entre participantes e senseis num óptimo restaurante italiano.
O ambiente e o convívio entre as pessoas foi óptimo, divertido e muito bem disposto apesar do cansaço evidente que já se fazia sentir após os dois dias de estágio.
O regresso a casa é que foi mais doloroso pela hora tardia e por pensar que no dia seguinte ai ai ai lá teria que estar no dojo às 9:00 da manhã!
Dia 15 de Junho de 2008
Este terceiro e último dia de estágio que ocorria apenas da parte da manhã, foi dedicado ao treino de todas as katas da primeira à décima segunda.
A atenção centrou-se na prática conjunta das katas por vários grupos de pessoas, atentando em situações como ritmo, estado de «alerta» permanente a tudo o que nos rodeia e outros detalhes que fazem do Iaido uma das disciplinas do Budo e que devemos se de facto queremos ser iaidocas no pleno sentido do termo, comportarmo-nos como tal.
O espírito dentro do dojo, desde o primeiro instante em que entramos deve ser um espírito marcial...
O balanço final foi de um estágio muito bom a todos os níveis que me permitiu regressar em força aos treinos.
Sinto-me de novo em paz e no bom caminho...no meu caminho...naquele que escolhi e do qual gostaría muito de não voltar a ter que me desviar...
quinta-feira, junho 12, 2008
Estágio do Iaido
Os próximos três dias vão ser passados em estágio de Iaido pelo que já me estou a preparar.
O trabalho e o esforço vão ser grandes, e acho que no domingo quando terminar não me vou conseguir mexer, mas tenho a certeza que o que vou aprender e evoluir compensará de longe o estafanço que vai ser.
Sobretudo porque está calor, os pavilhões são quentes e o meu GI é um inferno de quente!
Está na hora de cravar alguém que em breve vai à Holanda para me trazer equipamento novo :P:P:P:P
Até comprei um livrinho de notas com imagens japonesas para ir registando o que de importante for salientado.
Depois vos contarei o resultado...
O trabalho e o esforço vão ser grandes, e acho que no domingo quando terminar não me vou conseguir mexer, mas tenho a certeza que o que vou aprender e evoluir compensará de longe o estafanço que vai ser.
Sobretudo porque está calor, os pavilhões são quentes e o meu GI é um inferno de quente!
Está na hora de cravar alguém que em breve vai à Holanda para me trazer equipamento novo :P:P:P:P
Até comprei um livrinho de notas com imagens japonesas para ir registando o que de importante for salientado.
Depois vos contarei o resultado...
quinta-feira, junho 05, 2008
Stitch e Eu...

Confesso que tenho uma predilecção especial por esta simpática personagem da Walt Disney.
Passo a explicar-vos porquê. Certo dia a minha mãezinha teve oportunidade de juntamente com o netinho querido ver o filme Lilo & Stitch.
O que não estava no programa era a avózinha querida dizer ao netinho que a mãe (EU!) quando era pequena era pior que o Stitch!
Ora bem...de facto segundo rezam as crónicas familiares...parece que de facto era uma criança assim para o «sogadita» que só fazia disparates.
Não só consegui correr com todas as criadas que a minha boa mãe arranjou...como quase matei de susto um pobre gato que uma delas trazia escondido numa alcofa (mas isso é outra história!).
Fica portanto a confissão oficial...Ok..era mesmo uma diabinha!
Stitch! És o maior....
quarta-feira, maio 21, 2008
Só para quem aprecia...

Para quem gosta de ler obras de diversas áreas sobre o Japão aconselho a consultarem esta editora que publica muito bom material sobre os diversos aspectos da cultura japonesa.
Tenho diversas obras que vão da literatura às artes marciais e são de excelente qualidade.
Esta é a minha próxima leitura
terça-feira, maio 06, 2008
Cerimónia do Chá (chanoyu 茶の湯) e Kimono (着物)

Um dos momentos que particularmente aprecio na cultura japonesa, refere-se à conhecida «Cerimónia do Chá».
Mais correctamente deveríamos dizer «cerimónias» uma vez que de acordo com a ocasião, com a estação e com outros parâmetros, existem diversos estilos de cerimónias.
Este cerimonial que requer anos de aprendizagem e treino, encontra-se à semelhança de outras práticas como a caligrafia, o ikebana (arranjos florais), a arquitectura e a concepção de jardins entre outros, imbuído por um profundo sentido filosófico que serve de base à cultura japonesa. Podem ler mais detalhes sobre este cerimonial aqui

Como já referenciei noutro texto, tenho um especial interesse por trajes exóticos, e como não podia deixar de ser, aprecio particularmente o kimono (着物), traje tradicional do Japão, que à semelhança da cerimónia do chá, existe em diversos estilos, para diferentes ocasiões e estações, tanto para o homem como para a mulher.
Tradicionalmente executado em seda, pode ostentar uma enorme diversidade de cores e padrões que por vezes indicativos das estações a que se destinam - borboletas e cerejas em flor para a Primavera - por exemplo, e bambus e pinheiros para o Inverno.
Sobre este traje podem aprofundar os conhecimentos aqui
A inegável delicadeza e beleza das manifestações culturais japonesas de que aqui deixo um singelo testemunho são de facto incontáveis e procurarei ir ao longo do tempo desvendando e partilhando com todos os que como eu gostam desta milenar civilização.
sábado, maio 03, 2008
quinta-feira, maio 01, 2008
«Treino de Jodo»
21:23 recebo uma mensagem, apartes de copos à parte, neste contexto «jodo.amanhã às 10h vou-te buscar»
Foi assim que hoje dia do trabalhador e após o despertador ter tocado às 9:00 (sim apeteceu-me dar-lhe uma sapatada)com uma enorme preguiça, me levantei para uma sessão de recuperação de jodo, desta criatura desnaturada que não tem tido tempo para estar nos treinos. Com a promessa que vou regressar em breve e que pretendo ir ao próximo estágio o meu amigo Requiem que tem uma boa vontade do tamanho do mundo, dedicou a sua bela manhã de feriado a treinar-me.
Com uma pontualidade britânica fez-se anunciar, com cara de noite mal dormida, óculos escuros e arzinho de ressaca (ok, pronto não muito ehehe).
Rumamos ao nosso destino de treino, num belo jardim ao ar livre com o sol a tentar romper.
Quando nos instalamos, num local tranquilo para não chamar demasiadas atenções, e nos preparamos para treinar, de Jo e Bokken, vejo-o baixar, pegar em algo semelhante a uma cauda. Num instante, fez voar o objecto algures para o meio das sebes, e com o ar mais seráfico do planeta olhou para mim (que olhava sem perceber nada) e disse: «atão era um rato!»
Ok, pensei...um rato «Nem te atrevas a tocar-me depois de teres pegado no rato!»
Então, diz-me..«foi só pela pontinha» Grrrrrrrrrr...
Mas pronto, e assim deste modo se deu inicio às hostilidades, ou melhor ao treino.
Treino que redundou em quase 4 horas de kihon intensivo e trabalho a pares...
Tenho a agradecer a enorme paciência no treino em que muito aprendi e corrigi. Foi imensamente proveitoso e espero ter interiorizado alguns dos pontos mais importantes que devo corrigir.
Soube-me muito bem voltar a treinar, e espero continuar o trabalho tanto no Jodo como no Iaido, para em breve voltar aos treinos a sério.
O resultado final foram uns entalanços nos dedos e umas nódoas negras (já sei que não devia ter deixado lá a mão!) em contrapartida lamento sinceramente o ataque não propositado às tuas canelas...espero não ter feito muitos estragos!
De qualquer modo, Senpai Requiem, domo arigato gozaimasu...
Foi assim que hoje dia do trabalhador e após o despertador ter tocado às 9:00 (sim apeteceu-me dar-lhe uma sapatada)com uma enorme preguiça, me levantei para uma sessão de recuperação de jodo, desta criatura desnaturada que não tem tido tempo para estar nos treinos. Com a promessa que vou regressar em breve e que pretendo ir ao próximo estágio o meu amigo Requiem que tem uma boa vontade do tamanho do mundo, dedicou a sua bela manhã de feriado a treinar-me.
Com uma pontualidade britânica fez-se anunciar, com cara de noite mal dormida, óculos escuros e arzinho de ressaca (ok, pronto não muito ehehe).
Rumamos ao nosso destino de treino, num belo jardim ao ar livre com o sol a tentar romper.
Quando nos instalamos, num local tranquilo para não chamar demasiadas atenções, e nos preparamos para treinar, de Jo e Bokken, vejo-o baixar, pegar em algo semelhante a uma cauda. Num instante, fez voar o objecto algures para o meio das sebes, e com o ar mais seráfico do planeta olhou para mim (que olhava sem perceber nada) e disse: «atão era um rato!»
Ok, pensei...um rato «Nem te atrevas a tocar-me depois de teres pegado no rato!»
Então, diz-me..«foi só pela pontinha» Grrrrrrrrrr...
Mas pronto, e assim deste modo se deu inicio às hostilidades, ou melhor ao treino.
Treino que redundou em quase 4 horas de kihon intensivo e trabalho a pares...
Tenho a agradecer a enorme paciência no treino em que muito aprendi e corrigi. Foi imensamente proveitoso e espero ter interiorizado alguns dos pontos mais importantes que devo corrigir.
Soube-me muito bem voltar a treinar, e espero continuar o trabalho tanto no Jodo como no Iaido, para em breve voltar aos treinos a sério.
O resultado final foram uns entalanços nos dedos e umas nódoas negras (já sei que não devia ter deixado lá a mão!) em contrapartida lamento sinceramente o ataque não propositado às tuas canelas...espero não ter feito muitos estragos!
De qualquer modo, Senpai Requiem, domo arigato gozaimasu...
segunda-feira, abril 07, 2008
Coisas de Egiptologia...
quarta-feira, março 05, 2008
«Inch'allah - (إن شاء الله»
Inch'allah!
Te encontre um dia,
No deserto da minha fantasia.
Inch'allah!
Renasça de novo
Aquele sentir fogoso
Inch'allah!
Sinta outra vez
Paixão com avidez
Inch'allah!
Amor delirante
Exaltação apaixonante
Inch'allah!
Desvario vibrante
Atrevido e petulante
Inch'allah!
Desvelamento romântico
Sereno e magnânimo
Inch'allah!
Te encontre um dia...
Inch'allah!
Chegue esse dia...
*Inch'allah (Oxalá)
Te encontre um dia,
No deserto da minha fantasia.
Inch'allah!
Renasça de novo
Aquele sentir fogoso
Inch'allah!
Sinta outra vez
Paixão com avidez
Inch'allah!
Amor delirante
Exaltação apaixonante
Inch'allah!
Desvario vibrante
Atrevido e petulante
Inch'allah!
Desvelamento romântico
Sereno e magnânimo
Inch'allah!
Te encontre um dia...
Inch'allah!
Chegue esse dia...
*Inch'allah (Oxalá)
domingo, março 02, 2008
Meu filho...
Filho, no meu ventre gerado,
Acto de puro amor,
A cada momento eternizado,
No teu olhar, reflexo perene,
Beleza imortalizada...
Filho, da minha alma recôndita,
Sangue do meu sangue inflamado,
Alma de borboleta etérea,
Espírito rebelde apaixonado...
Gatinhas-te, titubeas-te,
E gentilmente te levantas-te,
Num ciclo imutável de crescimento,
Num jovem te transformas-te...
Qual larva que sai do casulo,
Abraças agora a vida,
Com olhar brilhante de esperança,
Passos firmes e plenos de alegria...
Quantas palavras se perderam no passado,
Quantos momentos vivemos sem futuro,
Orgulho-me de te ter ao meu lado,
És o meu filho bem-amado,
E de quem muito me orgulho.
(Ao meu filho Rodrigo...)
Acto de puro amor,
A cada momento eternizado,
No teu olhar, reflexo perene,
Beleza imortalizada...
Filho, da minha alma recôndita,
Sangue do meu sangue inflamado,
Alma de borboleta etérea,
Espírito rebelde apaixonado...
Gatinhas-te, titubeas-te,
E gentilmente te levantas-te,
Num ciclo imutável de crescimento,
Num jovem te transformas-te...
Qual larva que sai do casulo,
Abraças agora a vida,
Com olhar brilhante de esperança,
Passos firmes e plenos de alegria...
Quantas palavras se perderam no passado,
Quantos momentos vivemos sem futuro,
Orgulho-me de te ter ao meu lado,
És o meu filho bem-amado,
E de quem muito me orgulho.
(Ao meu filho Rodrigo...)
terça-feira, fevereiro 19, 2008
Notícias - Ciclo Conferências sobre o Egipto
Para quem gosta de temáticas ligadas ao Egipto antigo fica a notícia de um ciclo de conferências em que tenho o prazer de participar no Museu Nacional de Arqueologia.
http://www.mnarqueologia-ipmuseus.pt/default.asp?a=17&x=3
Ciclo de Conferências "As sete maravilhas do Egipto"
A Associação Cultural de Amizade Portugal-Egipto (ACAPE) - Av. D. Vasco da Gama, n.º 8, 1400-128 Lisboa, organiza um ciclo de conferências sobre o tema «As sete maravilhas do Egipto», que decorrerá no auditório do Museu Nacional de Arqueologia (MNA), com o apoio do Grupo de Amigos do Museu Nacional de Arqueologia (GAMNA).
O Programa decorrerá todos os meses, entre Janeiro e Julho de 2008, prevendo-se que haja dois conferencistas permanentes e um convidado para cada sessão.
Intervenientes:
- Professor Doutor Luís Manuel de Araújo
- Professor Doutor José das Candeias Sales
- Um conferencista convidado, membro da ACAPE
Entrada livre
Programa
Março
Dia 15 - Sábado (15.00 - 17.00 horas)
«Deir el-Bahari, a harmonia petrificada»
- A rainha Hatchepsut (Luís Manuel de Araújo)
- Os monumentos (Rogério Ferreira de Sousa)-Por ausência será apresentado pelo Telo Canhão
- As divindades presentes (José das Candeias Sales)-Por ausência será apresentado por Alexandra Oliveira
Abril
Dia 19 - Sábado (15.00 - 17.00 horas)
«Túmulos tebanos, hipogeus para a eternidade»
- Túmulos do Vale dos Reis (Paulo Carreira)
- Túmulo de Nefertari (Luís Manuel de Araújo)
- Túmulos de funcionários (José das Candeias Sales)
Maio
Dia 17 - Sábado (15.00 - 17.00 horas)
«Templo de Edfu, a casa de Hórus»
- O contexto histórico (Alexandra Diez de Oliveira)
- O monumento (José das Candeias Sales)
- As divindades presentes (Luís Manuel de Araújo)
Junho
Dia 14 - Sábado (15.00 - 17.00 horas)
«Ilha de Fila, a pérola do Nilo»
- O contexto histórico (Luís Manuel de Araújo)
- Os monumentos (Maria José Albuquerque)
- O salvamento dos templos (José das Candeias Sales)
Julho
Dia 5 - Sábado (15.00 - 17.00 horas)
«Abu Simbel, à glória de Ramsés II»
- Grande Templo (Telo Ferreira Canhão)
- Pequeno Templo (Luís Manuel de Araújo)
- O salvamento dos templos (José das Candeias Sales)
http://www.mnarqueologia-ipmuseus.pt/default.asp?a=17&x=3
Ciclo de Conferências "As sete maravilhas do Egipto"
A Associação Cultural de Amizade Portugal-Egipto (ACAPE) - Av. D. Vasco da Gama, n.º 8, 1400-128 Lisboa, organiza um ciclo de conferências sobre o tema «As sete maravilhas do Egipto», que decorrerá no auditório do Museu Nacional de Arqueologia (MNA), com o apoio do Grupo de Amigos do Museu Nacional de Arqueologia (GAMNA).
O Programa decorrerá todos os meses, entre Janeiro e Julho de 2008, prevendo-se que haja dois conferencistas permanentes e um convidado para cada sessão.
Intervenientes:
- Professor Doutor Luís Manuel de Araújo
- Professor Doutor José das Candeias Sales
- Um conferencista convidado, membro da ACAPE
Entrada livre
Programa
Março
Dia 15 - Sábado (15.00 - 17.00 horas)
«Deir el-Bahari, a harmonia petrificada»
- A rainha Hatchepsut (Luís Manuel de Araújo)
- Os monumentos (Rogério Ferreira de Sousa)-Por ausência será apresentado pelo Telo Canhão
- As divindades presentes (José das Candeias Sales)-Por ausência será apresentado por Alexandra Oliveira
Abril
Dia 19 - Sábado (15.00 - 17.00 horas)
«Túmulos tebanos, hipogeus para a eternidade»
- Túmulos do Vale dos Reis (Paulo Carreira)
- Túmulo de Nefertari (Luís Manuel de Araújo)
- Túmulos de funcionários (José das Candeias Sales)
Maio
Dia 17 - Sábado (15.00 - 17.00 horas)
«Templo de Edfu, a casa de Hórus»
- O contexto histórico (Alexandra Diez de Oliveira)
- O monumento (José das Candeias Sales)
- As divindades presentes (Luís Manuel de Araújo)
Junho
Dia 14 - Sábado (15.00 - 17.00 horas)
«Ilha de Fila, a pérola do Nilo»
- O contexto histórico (Luís Manuel de Araújo)
- Os monumentos (Maria José Albuquerque)
- O salvamento dos templos (José das Candeias Sales)
Julho
Dia 5 - Sábado (15.00 - 17.00 horas)
«Abu Simbel, à glória de Ramsés II»
- Grande Templo (Telo Ferreira Canhão)
- Pequeno Templo (Luís Manuel de Araújo)
- O salvamento dos templos (José das Candeias Sales)
domingo, fevereiro 17, 2008
«O Crepúsculo de uma Deusa - III - A profecia»
Selado o pacto, um estranho arrepio percorreu o corpo de Sanwa, qual prenúncio de algo potencialmente perigoso que o deixou profundamente inquieto. Estranho pressentimento de fatalidade.
Não havia memória nos anais do Templo de uma situação insólita como esta sobretudo entre um sacerdote de Chisan e uma mera mortal que pressupostamente deveria estar à sua mercê.
A sua previdência, no entanto, havia ditado o rumo dos acontecimentos como se tal estivesse predestinado - maktub - e fosse inevitável. Uma voz interior sussurrava-lhe de mansinho que se mantivesse atento e que fosse cauteloso.
- No sétimo dia de cada semana, virás aos meus aposentos e tentarás adivinhar quem sou - diz Djinn.- Obviamente que a cada visita te darei uma pista que te permitirá resolver o enigma.Se fores bem sucedido passarás à pista seguinte, senão continuarás com a mesma até ao terminus do prazo acordado.
Djinn divertia-se visivelmente com o ar cada vez mais soturno e desconfortável do desconhecido. Será que ele suspeitava de alguma coisa, pensou? Sendo um sacerdote deveria estar a par da antiga profecia...no entanto a sua fleumática postura nada revelava.
Sanwa, sentia-se encurralado pela primeira vez na sua longa existência, desconhecendo as causas, mas sentia-se compelido a pactuar com tudo o que a bela desconhecida lhe exigia, como se tivesse sob o efeito de um poderoso feitiço, contra o qual não conseguia lutar.
- Estás muito confiante! - invectivou jocoso. - Demasiado confiante, não te parece? - o olhar tornou-se mais escuro e brilhante, perigosamente sedutor.
- De todo - afirmou Djinn. Não se trata em absoluto de confiança, mas de sabedoria. Aquilo que eu sei e que tu desconheces! - lançou num riso sarcástico.
Perturbado Sanwa decide tomar as rédeas do jogo e retirar-se de cena para dar início ao pacto que acabara de celebrar, com aquela bela mulher que o intrigava e seduzia.
- Muito bem, qual é a primeira pista? pergunta altivo.
- Maktub, a origem está na antiga profecia do Templo da Lua - proclama com uma voz cristalina. Regressa daqui a sete dias e diz-me do que estou a falar...
- Do Templo da Lua? - indagou surpreendido. - Estais louca? Esse Templo é interdito aos sacerdotes! É impossível saber o que pretendes.
- Isso não me diz respeito! - cortou ríspida. - Estes são os termos do pacto que aceitaste. Agora não tem volta. Se quebrares o pacto antes de teres resolvido o enigma, sabes que perdes o domínio sobre mim, e ficarás à minha mercê. Olhou-o desafiadoramente. - Tens sete dias...
- Seja! - proferiu irado. - Voltarei. Prepara-te porque dentro de sete dias, ao por do sol estou de volta.
Do mesmo modo que chegou, Sanwa partiu, envolvido pelas sombras da noite, rápido, fugaz.
Djinn saiu para o terraço, abraçando a luz prateada da lua que lhe tocava a pele, deixando um rasto brilhante...olhando para o céu pensou - Mãe, a profecia cumprir-se-á. Em breve, muito em breve...
(continua...)
Não havia memória nos anais do Templo de uma situação insólita como esta sobretudo entre um sacerdote de Chisan e uma mera mortal que pressupostamente deveria estar à sua mercê.
A sua previdência, no entanto, havia ditado o rumo dos acontecimentos como se tal estivesse predestinado - maktub - e fosse inevitável. Uma voz interior sussurrava-lhe de mansinho que se mantivesse atento e que fosse cauteloso.
- No sétimo dia de cada semana, virás aos meus aposentos e tentarás adivinhar quem sou - diz Djinn.- Obviamente que a cada visita te darei uma pista que te permitirá resolver o enigma.Se fores bem sucedido passarás à pista seguinte, senão continuarás com a mesma até ao terminus do prazo acordado.
Djinn divertia-se visivelmente com o ar cada vez mais soturno e desconfortável do desconhecido. Será que ele suspeitava de alguma coisa, pensou? Sendo um sacerdote deveria estar a par da antiga profecia...no entanto a sua fleumática postura nada revelava.
Sanwa, sentia-se encurralado pela primeira vez na sua longa existência, desconhecendo as causas, mas sentia-se compelido a pactuar com tudo o que a bela desconhecida lhe exigia, como se tivesse sob o efeito de um poderoso feitiço, contra o qual não conseguia lutar.
- Estás muito confiante! - invectivou jocoso. - Demasiado confiante, não te parece? - o olhar tornou-se mais escuro e brilhante, perigosamente sedutor.
- De todo - afirmou Djinn. Não se trata em absoluto de confiança, mas de sabedoria. Aquilo que eu sei e que tu desconheces! - lançou num riso sarcástico.
Perturbado Sanwa decide tomar as rédeas do jogo e retirar-se de cena para dar início ao pacto que acabara de celebrar, com aquela bela mulher que o intrigava e seduzia.
- Muito bem, qual é a primeira pista? pergunta altivo.
- Maktub, a origem está na antiga profecia do Templo da Lua - proclama com uma voz cristalina. Regressa daqui a sete dias e diz-me do que estou a falar...
- Do Templo da Lua? - indagou surpreendido. - Estais louca? Esse Templo é interdito aos sacerdotes! É impossível saber o que pretendes.
- Isso não me diz respeito! - cortou ríspida. - Estes são os termos do pacto que aceitaste. Agora não tem volta. Se quebrares o pacto antes de teres resolvido o enigma, sabes que perdes o domínio sobre mim, e ficarás à minha mercê. Olhou-o desafiadoramente. - Tens sete dias...
- Seja! - proferiu irado. - Voltarei. Prepara-te porque dentro de sete dias, ao por do sol estou de volta.
Do mesmo modo que chegou, Sanwa partiu, envolvido pelas sombras da noite, rápido, fugaz.
Djinn saiu para o terraço, abraçando a luz prateada da lua que lhe tocava a pele, deixando um rasto brilhante...olhando para o céu pensou - Mãe, a profecia cumprir-se-á. Em breve, muito em breve...
(continua...)
sexta-feira, fevereiro 08, 2008
«O Crepúsculo de uma deusa II - O Pacto»

- Escolheste-me? - interrogou com uma inflexão de voz que revelava sarcasmo e alguma diversão. Arqueando ironicamente a sobrancelha, com um ar pensativo, olha-o e contrapõe:
- Que garantias tens que foste tu quem me escolheu e não o oposto? - indaga, misteriosamente.
Intrigado com esta reacção que de todo não se enquadrava nos parâmetros de comportamento normais a que estava habituado, o sacerdote, inquire-se quanto aos propósitos desta mulher que cada vez o deixava mais intrigado. Não estava perante uma fêmea mortal comum, semelhante a tantas outras que já havia possuído em luas anteriores, assustadiças, temerosas e submissas. Algo no seu instinto lhe dizia para ser cauteloso.
- Não preciso de garantias - retorque altivo. - Os sacerdotes escolhem aquelas com quem pretendem procriar.E eu escolhi-te a ti!
Sentando-se plácida e comodamente no divã, Djinn olha-o pensativamente, como que perscrutando a mente dele com o olhar penetrante.
Sentindo a invasão da sua mente, e o escrutínio das suas memórias, Sanwa apercebe-se subitamente que não estava perante uma mulher comum. As mulheres mortais não possuíam o dom da leitura da mente que a mulher que escolhera apresentava. Isso deixava-o profundamente irritado e perplexo, porque na sua longa vida nunca se havia deparado com uma situação semelhante. Estava confuso e ao mesmo tempo excitado porque nela tudo soava a desafio, e de algum modo a situação atraía-o ainda mais. Ainda assim tentando não deixar transparecer as emoções que afloravam o seu espírito, perguntou em tom relativamente controlado:
- Quem és tu? Que de modo abusivo tenta invadir a intimidade dos meus pensamentos? - questionou com a voz ligeiramente alquebrada.
Visivelmente divertida com desconforto que descortinou na voz do desconhecido, exclama:
- Ora vejam, estás curioso e espantado por teres encontrado uma mulher que não te teme, não choraminga de receio nem se curva a teus pés solicitando lacrimosa que a poupes!
O olhar tornava-se agora atrevido, mirando apreciativamente Sanwa da cabeça aos pés. No seu íntimo pensava que apesar de tudo o desconhecido tinha uma certa elegância e nobreza. Seria um adversário à altura do jogo que na sua mente se começou a esboçar. Sem dúvida...seria um enorme desafio, pensou.
No espaço de alguns segundos que mais pareciam uma eternidade, olhou-o fixamente e disse:
- Se pretendes possuir-me, terás primeiro que adivinhar quem sou e consequentemente o meu nome. Se desvendares o enigma prometo que serei tua e farei exactamente aquilo que pretendes. Dar-te-ei um herdeiro para que possas continuar a tua linhagem. Aceitas?
Sanwa que se tinha erguido para se aproximar, estacou, olhou-a com um misto de divertimento e estupefacção. A ousadia desta mulher ultrapassava o inimaginável, no entanto, em vez de lhe responder impulsiva e agrestemente, uma voz interior aconselhou-o a aceitar o desafio que a desconhecida lhe propunha.
- Muito bem - respondeu. - Aceito! Mas com uma condição, se descobrir vergas-te à minha vontade, se não for bem sucedido, obrigas-te a encontrar e alguém que te substitua. O ritual tem que ser cumprido até à próxima lua cheia.
- Assim seja! - aquiesceu. - «Alea jacta est» - acrescentou, olhando desafiadora o seu adversário.
(continua...)
* Imagem de Dufaux
sexta-feira, fevereiro 01, 2008
«Éloge de l' Amitié», Tahar Ben Jelloun
Descobri Tahar Ben Jelloun à muitos anos, numas férias em Biarritz, pelas mãos de uma amiga que muito respeito pela sua imensa sabedoria, que apenas a idade e experiência poderiam aconselhar, e que vivendo longos anos em Marrocos teve o privilégio de privar com pessoas tão fascinantes como o rei Hassan II de Marrocos ou mesmo De Gaulle ou Paul Newman; foi ela que me apresentou a obra do escritor marroquino.
Desde as primeiras linhas que fiquei fascinada pelas suas descrições de Marrocos e das suas gentes, mas sobretudo pela expressão vívida dos sentimentos, algumas vezes poética, outras crua e dura, qual espelho da sua própria vida.
A beleza do seu texto, a manifestação de uma miríade de sentimentos através da palavra, cativaram-me e encantaram-me desde o primeiro minuto.
Um dos livros mais belos e que mais me fizeram reflectir foi aquele que dá título a esta reflexão: «Éloge de l'Amitié (la soudure fraternelle).
Nele encontramos uma profunda reflexão sobre a «amizade» não como conceito (que também é abordado) mas da experiência do autor, das vivências e dos seus amigos.
Uns mais do que outros, o modo como marcaram a sua vida, ou como perduraram na sua memória.
Algumas citações da obra que me fizeram pensar e repensar em muito do que pensava ser uma verdade, não absoluta claro, mas muito muito mais relativa do que alguma vez imaginara:
«L'amitié est une religion sans Dieu ni jugement dernier. Sans diable non plus.»
«L'amitié ne rend pas le malheur plus léger, mais en se faisant présence et dévouement, elle permet d'en partager le poids, et ouvre les portes de l'apaisement.»
Se puderem, leiam porque merece a pena. Entre outros «Amours sorcières», «La prière de l'absent» ou mesmo «Aux yeux baissés».
Desde as primeiras linhas que fiquei fascinada pelas suas descrições de Marrocos e das suas gentes, mas sobretudo pela expressão vívida dos sentimentos, algumas vezes poética, outras crua e dura, qual espelho da sua própria vida.
A beleza do seu texto, a manifestação de uma miríade de sentimentos através da palavra, cativaram-me e encantaram-me desde o primeiro minuto.
Um dos livros mais belos e que mais me fizeram reflectir foi aquele que dá título a esta reflexão: «Éloge de l'Amitié (la soudure fraternelle).
Nele encontramos uma profunda reflexão sobre a «amizade» não como conceito (que também é abordado) mas da experiência do autor, das vivências e dos seus amigos.
Uns mais do que outros, o modo como marcaram a sua vida, ou como perduraram na sua memória.
Algumas citações da obra que me fizeram pensar e repensar em muito do que pensava ser uma verdade, não absoluta claro, mas muito muito mais relativa do que alguma vez imaginara:
«L'amitié est une religion sans Dieu ni jugement dernier. Sans diable non plus.»
«L'amitié ne rend pas le malheur plus léger, mais en se faisant présence et dévouement, elle permet d'en partager le poids, et ouvre les portes de l'apaisement.»
Se puderem, leiam porque merece a pena. Entre outros «Amours sorcières», «La prière de l'absent» ou mesmo «Aux yeux baissés».
terça-feira, janeiro 29, 2008
O crepúsculo de uma deusa - I - O despertar»

Uma mão esguia de longos dedos afasta os etéreos e esvoaçantes véus, imobiliza-se por breves instantes inalando a doce fragrância que inunda o quarto e que se desprende das mil e uma velas que difusamente espalham a sua luz deixando vislumbrar o seu interior.
O seu olhar escuro, de um negro metálico, acaricia luxuriosamente o vulto estendido sob o divã, que se vira languidamente como se sentisse observada.
Aproxima-se devagar, silenciosamente, do local onde imersa num sono profundo e agitado, Djinn se encontrava. De quando em quando o seu corpo era sacudido por frémitos que despertaram a curiosidade do estranho que se sentou numa das almofadas sobre o divã sentido o odor cálido e exótico a canela, que da pele acetinada se desprendia.
Hipnotizante, pupilas dilatadas por um desejo que se adivinha, aproxima delicadamente a ponta dos dedos num esboço de carícia, do ombro que tão desprotegido se lhe oferecia.
O gesto foi bruscamente suspendido pelo acordar repentino de Djinn que num ápice deslizou para fora do alcance da sua mão.
- Como ousas? - proferiu - invadir assim os meus aposentos?
Um sorriso sardónico aflorou fugazmente os lábios daquele que mais não era que um sacerdote do Templo das Trevas, servidor do Princípe Chisan, senhor da morte.
O Templo da Trevas, escondido nas montanhas da Lua, só era visível aos mortais apenas em límpidas noites de lua cheia, momento em que os sacerdotes, de acordo com os rituais sagrados, abandonavam o templo, desciam à terra e assumindo a forma de um negro corvo percorriam as vilas, aldeias e cidades em busca de uma donzela que escolheriam, tomariam e acasalariam para dar continuidade às gerações de sacerdotes vindouras.
A donzela escolhida, após a concepção, seria levada para o Templo da Lua e acolhida entre as sacerdotisas até ao nascimento da criança.
Os varões eram levados à nascença pelos acólitos do Templo das Trevas, criados e educados até à puberdade, para se tornarem servidores do templo depois de um ritual que os elevariam à categoria de acólitos, onde permaneceriam até à idade adulta, para finalmente atingirem a primeira etapa do sacerdócio.
Sanwa, Terceiro Sacerdote Superior do Templo, pelo elevado grau dos seus conhecimentos, fazia parte do estrito círculo minimum de sete Sacerdotes Guardiães que serviam directamente o grande príncipe. Eram Conselheiros e Guardiães do Templo e tutelavam as outras três ordens de sacerdotes.
Como Terceiro Sacerdote Superior, trajava de negro, quase sempre de cabeça tapada por um capuz, assemelhava-se a um espectro disforme de aparência assustadora. Quando a lua atingia a sua forma mais perfeita, através da transmutação assumia a forma de um corvo, descendo assim à terra, para repetir um ritual que já durava à milénios.
- Perdão senhora minha, observo-te à algum tempo e decidi tomar-te para o ritual da Lua. Escolhi-te pela tua beleza e pelo forte carácter que pressinto em ti. Que o meu herdeiro possa reflectir a tua essência - disse Sanwa, divertido com o olhar visivelmente irado e explosivo de Djinn.
(continua...)
segunda-feira, janeiro 28, 2008
«O crepúsculo de uma deusa»
As sombras bruxuleantes do crepúsculo avançavam de mansinho pela janela entreaberta do quarto, escassamente iluminado pela suave luz de velas que espalhavam um arome suave e requintado que convidava a momentos de retiro e intimidade.
No céu de veludo azul escuro salpicado de minusculos pontos prateados, os deuses aguardam que os mortais adormeçam.
Cortinas coloridas, de uma leveza etérea esvoaçavam docemente, sob a brisa cálida da noite que se avizinha.
Tapetes de toque macio e suave, acariciam os pés nus de quem os percorre com um andar gracioso;
Num enorme divã com uma coberta de veludo vermelho, macio e sussurrante, repleto de almofadas de seda deslizante, uma delicada figura feminina, graciosa descansava...salvaguardada pelos vaporosos tecidos de uma transparência divina, adivinhava-se a sua nudez.
A pele morena e suave, um pé pequeno de cujo tornozelo pende uma delicada pulseira em prata trabalhada que realça a perna morena semi desnuda, envolta em transparências reveladoras das formas sensuais e de uma voluptuosidade convidativa.
O som de um bater de asas ritmado e forte, ecoava, enquanto um manto de escuridão se abate sob a ténue claridade que ainda se escoava no horizonte.
No parapeito da varanda, uma ave negra, de olhar prescrutante e intenso varre os aposentos atentamente, parando no vulto que se adivinha por entre os coloridos véus que esvoaçam ao sabor da brisa morna e acariciadora da noite.
O bater suave das asas de veludo negro dão lugar a uma figura humana, de longos cabelos negros como as asas do corvo, alto e robusto e de olhar profundo e investigador. A sua presença parece fazer parar o tempo, enquanto se desloca silenciosamente, com a agilidade de um felino que sonda a sua presa antes do ataque.
(continua...)
No céu de veludo azul escuro salpicado de minusculos pontos prateados, os deuses aguardam que os mortais adormeçam.
Cortinas coloridas, de uma leveza etérea esvoaçavam docemente, sob a brisa cálida da noite que se avizinha.
Tapetes de toque macio e suave, acariciam os pés nus de quem os percorre com um andar gracioso;
Num enorme divã com uma coberta de veludo vermelho, macio e sussurrante, repleto de almofadas de seda deslizante, uma delicada figura feminina, graciosa descansava...salvaguardada pelos vaporosos tecidos de uma transparência divina, adivinhava-se a sua nudez.
A pele morena e suave, um pé pequeno de cujo tornozelo pende uma delicada pulseira em prata trabalhada que realça a perna morena semi desnuda, envolta em transparências reveladoras das formas sensuais e de uma voluptuosidade convidativa.
O som de um bater de asas ritmado e forte, ecoava, enquanto um manto de escuridão se abate sob a ténue claridade que ainda se escoava no horizonte.
No parapeito da varanda, uma ave negra, de olhar prescrutante e intenso varre os aposentos atentamente, parando no vulto que se adivinha por entre os coloridos véus que esvoaçam ao sabor da brisa morna e acariciadora da noite.
O bater suave das asas de veludo negro dão lugar a uma figura humana, de longos cabelos negros como as asas do corvo, alto e robusto e de olhar profundo e investigador. A sua presença parece fazer parar o tempo, enquanto se desloca silenciosamente, com a agilidade de um felino que sonda a sua presa antes do ataque.
(continua...)
segunda-feira, outubro 15, 2007
Gaudí, o incomparável...

Há uns dias apenas, adquiri uma obra que à muito procurava. Buscava um livro que me aproximasse das fabulosas obras do arquitecto Antoní Gaudí, autor entre outras da inacabada «Sagrada Familia», do Parque Güell, de La Pedrera entre outras obras da arquitectura que se tornaram ícones na bela e mediterrânica Barcelona.
Gaudí...arquitecto que transformou os meus sonhos em realidade, materializando as fantásticas construções míticas de muitos contos em obras concretas.
Visito mundos de imaginação e fantasia, sob a forma espiralada e colorida de muitas das suas obras.
Mesclo-me nos tons terra, qual construções de areia num dia de Verão, que se fundem na paisagem dos parques, criando labirintos fantásticos, espirais e curvas repletas de luminosidade e cor.
A sua criatividade que se esgueira aos menores detalhes, encanta-me. O elaborado e único trabalho de forja do ferro apresenta-nos trabalhos de um detalhe e perfeição inigualáveis, de imaginação e imprevisibilidade sem par.
Perco-me nas curvas, nos ovalados e espirais, nas formas esféricas e arredondadas...
Perco-me nas miríades de cores que, como puzzles gigantescos se perdem nas fachadas, colunas, clarabóias...
Subo a espiral infinda rumo ao infinito espaço azul, que parece não ter fim...
Sonho nas casas, que como no conto de Hansel e Gretel, parecem de açucar, chocolate e doces...
É belo, é exótico e tão estranhamente apetecível, fascinante...
É o maravilhoso mundo de Gaudí, o arquitecto.
segunda-feira, janeiro 22, 2007
«Murasaki Shikibu»

«A História de Murasaki» é uma obra escrita por Liza Dalby sobre a grande novelista japonesa do século XI, conhecida como Murasaki Shikibu. Murasaki nasceu em Kyoto, no ano 973 e terá falecido por volta de 1025. Filha do governador de província, da familia Fujiwara, cedo revela um brilhante talento para a aprendizagem e para a escrita, rapidamente atalhado com um casamento imposto. Após a morte do seu marido em 1001 e como reconhecimento do seu talento Murasaki é convidada a ingressar na corte imperial.
Do período Heian emerge um relato delicado da sua vida na corte, através do seu diário que mantém durante dois anos, e uma novela que a tornou célebre «Genji monogatari». O relato das aventuras do príncipe Genji, escritas para serem lidas em voz alta perpetuaram a sua fama até aos nossos dias.
É o universo do Japão do período Heian, e da vida desta talentosa escritora japonesa que Liza desvenda numa obra cheia de subtileza e delicadeza. Para quem gosta de literatura, a não perder como é óbvio o livro «Genji monogatari», traduzido para o inglês como «The Tale of Genji».
Subscrever:
Mensagens (Atom)
