Porque alguém me descreveu como sendo uma loba, porque sei que tem razão e porque quero perpetuar a memória de tão belas palavras...
Tu és uma loba porque tens um olhar de perdição que torna inerte qualquer um,
És loba porque tens instinto maternal...
És loba porque proteges os teus...
És loba porque constróis e crias...
És loba porque és solidão acompanhada na liderança da tua alcateia...
És loba porque és vento e luar...
És loba porque o diabo de vermelho é uma loba que uiva ao luar clamando amor e justiça...
segunda-feira, fevereiro 09, 2009
terça-feira, dezembro 30, 2008
O Templo da Lua - IV
Nas brumas das eras antigas esfuma-se o nascimento do majestoso Templo da Lua, refúgio dedicado ao culto da poderosa princesa Sakura, senhora da Vida.
Nas crónicas ancestrais, as sacerdotisas que fielmente servem a deusa, seguem os rituais estabelecidos desde os primórdios que permitem a renovação das castas sacerdotais.
Os anais revelam que a cada ciclo de estações as jovens sacerdotisas noviças deverão entregar-se ao ritual da Primavera, copulando com um jovem terreno.
Por regra apenas os recém-nascidos do sexo feminino eram mantidas no templo e educadas pelas sacerdotisas para, a seu tempo, se tornarem nas novas servidoras da deusa. Os recém-nascidos varões retornavam ao seu progenitor e eram criados como qualquer outra criança junto da família terrena.
Sakura, senhora da Vida e Chisan, senhor da Morte eram ambos filhos dos deuses Hiroichi, o Caos e Hironi, a Ordem, responsáveis pela criação do cosmos conhecido.
No tempo em que a ordem reinava, os contactos entre os sacerdotes e sacerdotizas dos templos era estritamente proibido e severamente punido, nas situações mais graves com a morte.
(continua...)
Nas crónicas ancestrais, as sacerdotisas que fielmente servem a deusa, seguem os rituais estabelecidos desde os primórdios que permitem a renovação das castas sacerdotais.
Os anais revelam que a cada ciclo de estações as jovens sacerdotisas noviças deverão entregar-se ao ritual da Primavera, copulando com um jovem terreno.
Por regra apenas os recém-nascidos do sexo feminino eram mantidas no templo e educadas pelas sacerdotisas para, a seu tempo, se tornarem nas novas servidoras da deusa. Os recém-nascidos varões retornavam ao seu progenitor e eram criados como qualquer outra criança junto da família terrena.
Sakura, senhora da Vida e Chisan, senhor da Morte eram ambos filhos dos deuses Hiroichi, o Caos e Hironi, a Ordem, responsáveis pela criação do cosmos conhecido.
No tempo em que a ordem reinava, os contactos entre os sacerdotes e sacerdotizas dos templos era estritamente proibido e severamente punido, nas situações mais graves com a morte.
(continua...)
quarta-feira, novembro 26, 2008
As sete pregas do hakama - 袴

Ao hakama que vestimos e que possui 7 pregas, encontram-se associadas as 7 virtudes do bushido, a reter
義 – Gi – justiça, integridade
勇 – Yu – coragem, bravura
仁 – Jin – caridade, benevolência
礼 – Rei – etiqueta, cortesia
誠 – Makoto ou 信 - Shin– sinceridade, honestidade
名誉 – Meiyo – honra, glória
忠義 – Chugi – lealdade, fidelidade
«O espírito do Samurai»

As artes marciais desde há muitos anos que fazem parte de minha vida, uma vez que pratiquei dois estilos de karaté e agora há já algum tempo que pratico Iaido e Jodo.
Das muitas leituras que ao longo dos anos têm fluído nas longas e frias noites de Inverno, retenho palavras que me marcaram e que fazem de mim aquilo que sou hoje, do caminho que percorro, e que de forma indelével mas inexorável moldaram e moldam o meu carácter.
Sobre o espírito do samurai, retenho esta passagem que resume em sucintas palavras aquilo que não se consegue aprender numa vida:
«Once one has attained the right manners, one should futhermore one's spirit and make it one's principal rule; for though correct manners too may be observed to induce the samurai spirit, however dignified they may be, they are to rely upon.»
Quando reflicto sobre a Via, o caminho que cada um de nós percorre e escolhe como projecto de vida, esta outra passagem fala por mim:
«A Samurai is defined by his belief in the Way. Each and everyone's heart has its measure of faith; that is to say, it is in our nature to believe, and though by nature, there is evil in none, there are many whose true self is obscured by human desires and who are blinded. Among them there maybe those who can see, yet when it is light here, it will be dark somewhere else, and except for the sages, there is none for whom the skies are clear throughout.Thus only the sages is the Way totally clear...»
«False face must hide what false heart doth know...»
Nas artes marciais como na vida a postura deve ser idêntica, assumindo a prática a seriedade de um percurso longo, e difícil rumo ao grande desconhecido que é o nosso «Eu».
É um compromisso de vida que assumo com o percurso que escolhi, o modo como quero estar na vida.
É o reflexo da serenidade da minha alma, do meu equilíbrio interior que se espelha no mundo que me rodeia.
É a incessante vontade de ser melhor, de ir mais além, de auto-aperfeiçoamento, de auto-conhecimento.
É o querer ser a cada dia um ser humano diferente, melhor e encarar as minhas imperfeições como desafios diários rumo à utópica perfeição.
É espelhar a alma de uma transparência singela, humilde que me revelará a felicidade a cada passo.
É o saber viver cada dia, feliz mesmo na infelicidade, alegre mesmo na tristeza.
A cada dia que passa tenho mais certeza que escolhi o caminho certo, e que por muito sinuoso que seja, muito íngreme ou pedregoso é o que quero seguir.
A certeza que por muito que me desvie dele...acabarei sempre por o encontrar de volta qual estrela eternamente luminosa no firmamento da minha breve existência...
terça-feira, novembro 18, 2008
Porque às vezes a alma não se pode perder - E porque os anjos também falam
Há algum tempo atrás num tormentoso dia em que o sofrimento e a tristeza pareciam não terminar, um ilustre desconhecido teve o condão de trazer de volta a minha alma do abismo em que parecia querer volatizar-se.
Pelo bem que me fez não posso deixar de partilhar com todos aqueles que de alguma forma sofrem, um pensamento que me deixou, em singela homenagem...
"A tua realidade é pintada com as cores que lhe deres para pintar", e assim é faz da tua realidade o que quiseres dela e vais ver que até a curva mais apertada pode parecer e tornar-se afinal apenas num desvio para obras...
Pelo bem que me fez não posso deixar de partilhar com todos aqueles que de alguma forma sofrem, um pensamento que me deixou, em singela homenagem...
"A tua realidade é pintada com as cores que lhe deres para pintar", e assim é faz da tua realidade o que quiseres dela e vais ver que até a curva mais apertada pode parecer e tornar-se afinal apenas num desvio para obras...
domingo, outubro 26, 2008
In šaʾ Allāh (إن شاء الله) - Oxalá
Mais uma vez recupero dos meus estudos da língua árabe, uma palavra por demais conhecida no léxico português como «Oxalá», e cuja tradução literal do árabe «Inch'allah» quer dizer «se Deus quiser».
Do mesmo modo que «maktub», esta palavra, pela sua sonoridade e carga mística (não quero aqui entrar em questões religiosas, inerentes à mesma e que muito daria para discutir), tem para mim um significado especial.
Na minha dualidade enquanto ser humano racional e emocional, são muitos os momentos da vida que perante as dificuldades, obstáculos ou barreiras que parecem intransponíveis, sinto o apelo ao conforto de uma qualquer explicação remetida para entidades incorpóreas de carácter espiritual que me poderiam hipoteticamente ajudar a ultrapassar essas dificuldades.
A minha natureza pragmática e historicista, entra em conflito com a minha natureza emocional e idealista num choque de posições à primeira vista antagónicas.
No entanto, e embora tal não pareça, ambas acabam por se complementar num salutar equilíbrio que me permite viver e olhar para o dia seguinte com serenidade.
Gosto nesses momentos de inquietude da alma de pronunciar para mim «inch'allah» com o dramatismo e a carga mística de que se encontra impregnada.
«O que tiver que ser», mais uma vez e de outro modo, o que estiver predestinado ou escrito.
Acreditar no destino? Nem por isso, não da forma básica e simplicista, não da forma linear que coloca na mão de uma qualquer divindade ou ser incorpóreo supra-natural o destino de cada vida humana.
É uma forma de acreditar algo mística, que engloba a intuição, as decisões que tomamos, e uma certa dose de fé não definida nem parametrizada, de forma concreta.
É inexplicável, mas mais uma vez é uma palavra que acarreta por si só uma força e uma energia que me dão alento e força de viver...
Para cada um de vós, Inch' allah, encontrem o vosso caminho...
Do mesmo modo que «maktub», esta palavra, pela sua sonoridade e carga mística (não quero aqui entrar em questões religiosas, inerentes à mesma e que muito daria para discutir), tem para mim um significado especial.
Na minha dualidade enquanto ser humano racional e emocional, são muitos os momentos da vida que perante as dificuldades, obstáculos ou barreiras que parecem intransponíveis, sinto o apelo ao conforto de uma qualquer explicação remetida para entidades incorpóreas de carácter espiritual que me poderiam hipoteticamente ajudar a ultrapassar essas dificuldades.
A minha natureza pragmática e historicista, entra em conflito com a minha natureza emocional e idealista num choque de posições à primeira vista antagónicas.
No entanto, e embora tal não pareça, ambas acabam por se complementar num salutar equilíbrio que me permite viver e olhar para o dia seguinte com serenidade.
Gosto nesses momentos de inquietude da alma de pronunciar para mim «inch'allah» com o dramatismo e a carga mística de que se encontra impregnada.
«O que tiver que ser», mais uma vez e de outro modo, o que estiver predestinado ou escrito.
Acreditar no destino? Nem por isso, não da forma básica e simplicista, não da forma linear que coloca na mão de uma qualquer divindade ou ser incorpóreo supra-natural o destino de cada vida humana.
É uma forma de acreditar algo mística, que engloba a intuição, as decisões que tomamos, e uma certa dose de fé não definida nem parametrizada, de forma concreta.
É inexplicável, mas mais uma vez é uma palavra que acarreta por si só uma força e uma energia que me dão alento e força de viver...
Para cada um de vós, Inch' allah, encontrem o vosso caminho...
domingo, junho 22, 2008
Memórias...O Principezinho, o karaté e eu...
Em conversa recente com um amigo e com o reavivar da memória no blog da Cristina sobre o maravilhoso livro de Saint-Exupéry, «O Principezinho», que como é óbvio faz parte da minha biblioteca, e também do meu passado.
Peguei no livro e voltei a Dezembro de 1986, uns meses apenas depois de ter começado a praticar Karaté.
A obra foi-me oferecida pelo então meu mestre de karaté, pessoa relativamente nova, de espírito meio selvagem e que na época tinha desenvolvido um interesse ou paixão algo obsessiva pela minha então jovem pessoa.
Muito aconteceu, mas de facto a memória mais forte foi o dia em que ele me convidou para ir ao cinema, lanchar e conhecer o seu magnifico apartamento, o jipe, a mota e os cães...curiosamente nada disto me impressionou.
O que me tocou foi a oferta sincera de um livro com uma mensagem de amizade que ele marca no livro, e que senti que ele acima de tudo procurava.
Descobri que prezava e buscava a amizade sincera com pessoas que partilhassem os mesmos sonhos e objectivos.
Desse dia ficaram memórias muito positivas que fazem parte da pessoa em que hoje me tornei...e quase havia esquecido...
A minha génese nas artes marciais, o meu longo caminho e a minha visão dos amigos, das relações e do que eu não queria para a minha vida...começou nessa época...
Seguimos rumos muito diferentes de vida, sei que continua como instrutor de karaté em vários locais...nada mais...
Rui...onde quer que estejas, o meu agradecimento por hoje fazeres parte das minhas memórias e de algum modo teres contribuido para o meu percurso nas artes marcais....
Peguei no livro e voltei a Dezembro de 1986, uns meses apenas depois de ter começado a praticar Karaté.
A obra foi-me oferecida pelo então meu mestre de karaté, pessoa relativamente nova, de espírito meio selvagem e que na época tinha desenvolvido um interesse ou paixão algo obsessiva pela minha então jovem pessoa.
Muito aconteceu, mas de facto a memória mais forte foi o dia em que ele me convidou para ir ao cinema, lanchar e conhecer o seu magnifico apartamento, o jipe, a mota e os cães...curiosamente nada disto me impressionou.
O que me tocou foi a oferta sincera de um livro com uma mensagem de amizade que ele marca no livro, e que senti que ele acima de tudo procurava.
Descobri que prezava e buscava a amizade sincera com pessoas que partilhassem os mesmos sonhos e objectivos.
Desse dia ficaram memórias muito positivas que fazem parte da pessoa em que hoje me tornei...e quase havia esquecido...
A minha génese nas artes marciais, o meu longo caminho e a minha visão dos amigos, das relações e do que eu não queria para a minha vida...começou nessa época...
Seguimos rumos muito diferentes de vida, sei que continua como instrutor de karaté em vários locais...nada mais...
Rui...onde quer que estejas, o meu agradecimento por hoje fazeres parte das minhas memórias e de algum modo teres contribuido para o meu percurso nas artes marcais....
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